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Brasil

Vacina contra a covid-19 protege gestantes contra complicações

CCN News
Última atualização: 2025/09/30 at 4:43 PM
CCN News Publicado 30/09/2025
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Além de proteger contra a infecção pela covid-19, a vacinação em gestantes também diminui os riscos de partos prematuros, morte fetal e anomalias congênitas. Essa é a conclusão de um estudo do tipo guarda-chuva, o maior em nível de confiança, apresentado no Congresso da Sociedade Americana de Pediatria.

Conduzido pela pesquisadora Nikan Zargarzadeh, da Universidade de Harvard e do Hospital Infantil de Boston, nos Estados Unidos, o trabalho analisou mais de 200 estudos primários, realizados entre 2021 e 2023, reunindo dados de cerca de 1,2 milhão de gestantes.

A conclusão é que a vacina diminui em 58% o risco de infecção pela covid-19. Além disso, diversas complicações ocorreram em menor quantidade entre as mulheres vacinadas:

  • 34% menos partos prematuros antes das 28 semanas de gestação;
  • 25% menos bebês natimortos;
  • 17% menos anomalias congênitas;
  • 9% menos admissões em unidade de terapia intensiva neonatal.

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A presidente da Comissão Nacional de Vacinas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Susana Fialho, ressalta que esse efeito protetivo é muito importante, considerando os riscos que a infecção de covid-19 representa durante a gravidez.

“A gestante tem alterações fisiológicas em vários sistemas. Por exemplo, há uma modulação do sistema imune para permitir a tolerância ao feto, e essa adaptação faz com que infecções sejam mais graves. A gestante também consome mais oxigênio e tem uma diminuição da reserva respiratória. Ela tem hipoxia mais rápido e é naturalmente hipercoagulável. Por conta dessas alterações, ela é um grupo de risco para a covid-19 e deve se vacinar.”

Susana lembra ainda que desde a pandemia já se sabe que a covid-19 aumentou as internações hospitalares de gestantes e também os partos prematuros e as mortes maternas. Além disso, tanto o benefício quanto a segurança das vacinas já estão comprovados.

Dados oficiais apontam uma baixa cobertura na vacinação contra a covid-19 no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, este ano foram aplicadas apenas 191 mil doses nesse público, o que é menos do que 10% das cerca de 2,3 milhões aplicadas no ano passado.

A pasta informou ainda que 20,1 milhões de vacinas foram distribuídas para estados e municípios este ano, para uso em todos os públicos-alvo, e apenas 6,8 milhões foram aplicadas até o momento.

O pediatra e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, Juarez Cunha, acrescenta que a vacinação das gestantes também ajuda a proteger um dos públicos mais vulneráveis à doença: os bebês recém-nascidos.

“Dados do Ministério da Saúde até 20 de setembro mostram que nós tivemos 1.125 óbitos por covid-19 este ano no Brasil, sendo 39 em crianças menores de 2 anos. E o bebê não pode ser vacinado antes dos 6 meses. Então, a forma de protegê-lo é vacinar a mãe na gestação, que vai fabricar anticorpos e proteger o nenê também.”

Os dois especialistas reforçam a importância de os profissionais de saúde que acompanham as gestantes recomendarem a vacinação. “Estudos mostram que, quando o profissional recomenda a vacinação e o paciente já estava com a ideia de se vacinar, a taxa de sucesso chega a 90%. Agora, se o profissional de saúde contraindica ou coloca dúvida, mesmo que a paciente estivesse pensando em se vacinar, ela não se vacina”, afirma Juarez Cunha.

“Uma das principais causas de hesitação vacinal, que é aquele adiamento ou a recusa da vacinação, é a falta de informação ou a informação incorreta. Essa história do autismo ser causado por vacinas, por exemplo, é uma história antiga, que a pessoa que inventou já foi desmascarada e foi totalmente retratado, porque não havia essa relação. A gente tem o objetivo de levar informações de qualidade científica para os nossos ginecologistas e obstetras, para que eles possam passar isso de uma forma bem tranquila para as pacientes, para que elas se sintam mais seguras para fazerem as suas vacinas”, complementa Susana Fialho, da Febrasgo.

Agência Brasil

CCN News 30/09/2025 30/09/2025
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