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Internacional

México acusa setores dos EUA de ingerência em assuntos internos

CCN News
Última atualização: 2026/06/01 at 5:37 PM
CCN News Publicado 01/06/2026
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Contents
Claudia isenta TrumpCIA e cartéisCooperação e subordinação

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, acusou setores do governo dos Estados Unidos (EUA) de, por meio de campanhas midiáticas e de desinformação, tentarem interferir nos assuntos internos mexicanos.

Ela sugeriu que o objetivo seria influenciar as eleições de 2027, que renova a Câmara mexicana e os governos estaduais.

Em discurso que marcou os dois anos do seu mandato na presidência do país, Sheinbaum enfatizou que a luta contra o crime organizado é uma responsabilidade compartilhada por todos os estados.

“Mas essa luta não pode servir de desculpa para enfraquecer princípios fundamentais do direito internacional, como a não intervenção e o respeito pela autodeterminação dos povos”, disse a presidente, no domingo (31).

Ainda em janeiro deste ano, o presidente dos EUA, Donald Trump, cogitou atacar o México “por terra” com a justificativa de combater os cartéis de drogas. Em março, o secretário de Estado Marco Rúbio ameaçou “agir sozinho” nos países latino-americanos “se necessário”, também usando os cartéis como justificativa. 

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Claudia isenta Trump

Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (1), a presidenta mexicana disse não acreditar que o presidente Donald Trump esteja por trás dessas ingerências, mas sim setores do governo da Casa Branca, em parceria com grupos conservadores dentro do México.

“Nós sempre conversamos. Ele me diz o que pensa, e eu digo o que penso, e sempre chegamos a um acordo. Então, vamos torcer para que isso seja um problema apenas de certos setores”, respondeu a um jornalista.

CIA e cartéis

Claudia Sheinbaum citou o episódio em que dois agentes da CIA [Agência de Inteligência dos EUA] morreram em um acidente de carro no estado de Chihuahua. Os agentes não tinham autorização para estar no México.

“Nenhum agente estrangeiro pode desempenhar funções que sejam de responsabilidade exclusiva das autoridades mexicanas. Qualquer pessoa que venha ao nosso país deve fazê-lo com respeito à nossa soberania, apresentando suas credenciais de acordo com a lei e cumprindo nossos regulamentos”, afirmou.

Sheinbaum acrescentou que, ainda mais grave que o episódio com a CIA, foi o pedido do Departamento de Justiça dos EUA para extraditar, sem apresentação de provas, dez mexicanos por suposta relação com o narcotráfico, incluindo um governador, um prefeito e um senador da República.

“Um evento desta magnitude é inédito na história de nossa relação bilateral”, criticou a chefe de Estado, questionando se existiria mesmo um interesse legítimo de Washington de ajudar o México.

“Ou será que estamos testemunhando como setores da extrema direita americana estão usando nosso país para se posicionarem para as eleições de 2026? Ou será que pretendem influenciar as eleições de 2027 em nosso país?”, questionou.

A presidente do México justificou que é legítimo questionar o interesse dos EUA na extradição de autoridades mexicanas eleitas, dizendo que “não estamos mais falando de cooperação, estamos falando de interferência”.

Cooperação e subordinação

A presidente do México destacou que o governo segue comprometido com o combate a corrupção e o narcotráfico e citou a queda de 49% nos homicídios dolosos em 20 meses de governo.

Por outro lado, acrescentou não pode permitir que o Departamento de Justiça dos EUA peça a extradição de mexicanos sem apresentar provas.

“Cooperação não significa subordinação, e colaboração não significa submissão. A história do México nos ensinou que nenhum povo mantém sua liberdade se permitir que interesses estrangeiros decidam seu destino”, completou.

Agência Brasil

CCN News 01/06/2026 01/06/2026
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