Alvo de repercussão após a divulgação de reportagens envolvendo notas fiscais de seu escritório de advocacia e de declarações críticas às urnas eletrônicas feitas a diplomatas, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizou uma transmissão ao vivo nesta quinta-feira (23) para rebater as acusações.
Em tom duro contra veículos de imprensa, o parlamentar alegou ser vítima de uma campanha sistemática de desgaste político.
A live foi realizada horas depois de Michelle Bolsonaro aceitar publicamente um pedido de desculpas enviado pelo senador. Durante a exibição, Flávio evitou citar a ex-primeira-dama e concentrou seu discurso nas notícias recentes.
Segundo informações, o escritório jurídico do senador emitiu três faturas de R$ 500 mil cada, direcionadas a corporações associadas ao empresário Daniel Vorcaro. Do total, duas cobranças foram canceladas e uma seguiu ativa.
Flávio negou ter recebido recursos da Copenhagen Assessoria e Consultoria e classificou o vazamento dos documentos como uma infração legal.
“Vem para a imprensa uma nota fiscal que só quem tinha era o meu escritório ou algum órgão do governo, Receita Federal, Secretaria de Fazenda do DF, só esses entes públicos tinham, e o meu escritório. Portanto, jamais alguém poderia expor isso publicamente. Isso é quebra de sigilo ilegal”, argumentou o parlamentar, acrescentando que está sendo “acusado de não aceitar trabalhar para uma empresa que supostamente tem alguma coisa com [Daniel] Vorcaro”.
Para o senador, a exposição pública faz parte de uma tentativa coordenada para barrar sua trajetória eleitoral.
“Mesmo eu não sendo investigado por nada, por ser totalmente ficha limpa, mas ficam criando narrativas o tempo inteiro pra tentar me desumanizar e me atacar, ainda assim quebraram o meu sigilo, o sigilo do meu escritório de advocacia”, declarou.
Controvérsias e histórico político
A tensão em torno do nome de Flávio também foi alimentada na terça-feira (21), quando o parlamentar questionou a confiabilidade das urnas eletrônicas durante um encontro com representantes diplomáticos em Brasília. A manifestação gerou pronta resposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que classificou os argumentos apresentados como infundados.
Na transmissão desta quinta-feira, o senador avaliou que o cerco midiático e institucional direcionado a ele repete o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) desde o pleito de 2018.
“Vocês estão vendo a grande pancadaria em cima de mim. Eu sou claramente uma pessoa perseguida”, afirmou.
Encerrando o pronunciamento, Flávio elevou as críticas ao cenário político nacional:
“A gente não está mais num Estado Democrático de Direito. Contra mim e minha família vale tudo, vale gol de mão. Parece que umas pessoas se deleitam com isso. Mas não esqueçam que alguma hora essa perseguição pode voltar. Então, para mim, eu sou julgado todo dia sem provas. É uma coisa orquestrada. Fizeram com meu pai e estão fazendo comigo.



